#T001|霧立つ山間に刻まれた八百年の歳月 - 前編 -

#T001|Oito séculos gravados nas montanhas envoltas em névoa - Parte 1 -

Na região montanhosa do sul da prefeitura de Quioto, onde o rio Wazuka flui tranquilamente, ergue-se uma névoa fina. Esta é a vila de Wazuka, um local digno de ser chamado o coração do chá japonês — a linhagem do chá, transmitida desde a era Kamakura, continua viva e pulsante. A razão pela qual a MIOKA está profundamente enraizada em Wazuka reside na sobreposição do tempo que habita esta terra e na memória intangível contida nas folhas de chá.

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A única semente semeada pelo monge Jishin

Diz-se que a história do chá em Wazuka começou na era Kamakura, quando o monge Jishin, que estava no templo Kaijūzan-ji, recebeu sementes de chá do monge Myoe de Toganoo, considerado o fundador da prosperidade do cultivo do chá, e as plantou no sopé do Monte Jubusan.Imagine o fluxo de oitocentos anos. Um milagre em que a atividade iniciada a partir de uma única semente continuou ininterruptamente até hoje — essa é a indústria do chá de Wazuka.

O Monte Jubusan está localizado a nordeste da vila de Wazuka, na fronteira com Ujitawara, sendo o ponto mais alto da região de Minamiyamashiro.No sopé desta montanha sagrada, o monge Jishin provavelmente cuidava silenciosamente das mudas de chá. Naquela época, o chá era valorizado como medicamento, mas certamente já possuía um profundo poder calmante na sua infusão.

O chá do terreno imperial reservado amado pela família imperial

Durante o período Edo, tornou-se território imperial e o chá de Wazuka passou a ser entregue ao Palácio Imperial de Quioto.Quando Tokugawa Kazuko (mais tarde conhecida como Soku Fuku Mon'in, 1607-1678), filha do segundo xogum Tokugawa Hidetada (1579-1632), se tornou consorte do Imperador Go-Mizunoo (1596-1680), o chá de Wazuka foi oferecido à corte imperial.Este momento histórico prova que o chá de Wazuka transcende o mero produto de consumo, possuindo um valor cultural.

Com um estatuto especial que durou até à era Meiji como terreno imperial reservado, isso trouxe orgulho e responsabilidade aos agricultores de chá de Wazuka, incentivando uma busca incansável pela qualidade. O chá de Wazuka, reconhecido como chá da família imperial, carrega profundamente a estética e espiritualidade japonesas.

Kirika (aroma de névoa) — um sabor único tecido pela natureza

Na bacia de Yamashiro, onde esta região está situada, as características do terreno fazem com que as variações de temperatura diárias e anuais sejam grandes, o que concentra o sabor e a doçura do chá nas folhas. Além disso, o rio Wazuka que atravessa o centro da vila e a influência da bacia facilitam a formação de névoa, que protege as folhas do sol direto e mantém os rebentos macios.

Diz-se que as folhas de chá de Wazuka têm um aroma chamado "kirika" (aroma de névoa), produzido pela grande diferença de temperatura entre o dia e a noite.É este aroma de névoa que é a principal razão pela qual a MIOKA se dedica a Wazuka. Um aroma delicado criado pelas leis da natureza, impossível de reproduzir por máquinas. Ele permanece na memória para além do tempo e do lugar, encapsulando a paisagem de Wazuka numa chávena.

As plantações de chá que se estendem por cerca de 600 hectares nas montanhas entre 100m e 600m de altitude são cuidadas por cerca de 300 agricultores de chá, que as preservam há várias gerações.A diversidade tecida por cada agricultor e a técnica transmitida — esta é a fonte da riqueza do chá de Wazuka.

Para a segunda parte